Tokyo Groove FM

Magazine · · por DJ Thomas

Pon: a voz que mantém viva a nostalgia das músicas japonesas

Entre aberturas de anime, clássicos do tokusatsu e canções que marcaram diferentes gerações, o cantor Pon compartilha sua paixão pela música japonesa e mostra como os covers podem manter essas memórias vivas.

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Pon
Imagem: Pon / ポンチ - Youtube

Existem músicas que nos acompanham por tanto tempo que acabam se tornando parte da nossa própria história. Às vezes, basta ouvir os primeiros segundos de uma abertura de anime ou de uma canção antiga para sermos transportados de volta à infância. E, mesmo depois de tantos anos, essas melodias continuam encontrando espaço em nossas vidas.

É justamente essa conexão que move o trabalho de Pon, cantor e criador de covers de músicas japonesas, que compartilha sua paixão por meio do canal Pon / ポンチャンネル, no YouTube.

Com um repertório que passa por aberturas e trilhas de anime, temas de tokusatsu, músicas japonesas retrô e canções da era Showa, Pon busca manter viva uma parte importante da história musical do Japão. Seu trabalho também nos lembra que não é preciso ter vivido determinada época para se emocionar com as músicas que nasceram nela.

Nesta entrevista para o blog da Tokyo Groove FM, conversamos com Pon sobre suas influências, o processo de gravação dos covers, as lembranças que carrega da infância e os projetos que deseja realizar no futuro. Prepare-se para revisitar algumas memórias e, quem sabe, descobrir sua próxima música favorita!

Uma paixão que começou na infância

Discos de vinil e fitas cassete sobre uma mesa de madeira
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Assim como acontece com muitos fãs de música japonesa, a história de Pon começa com os animes. Durante a infância, ele cresceu ouvindo suas músicas e descobrindo outros estilos da produção musical japonesa, incluindo os clássicos da era Showa.

Mas, entre tantos artistas, um nome conquistou um lugar especial em sua trajetória: Masahiko Kondo.

Masahiko Kondo
Imagem: Snap Lap — https://www.snaplap.net/driver/masahiko-kondo/

Pon descreve o cantor como uma figura marcante, ousada e influente em sua época. A presença artística de Kondo e suas canções foram importantes para despertar nele a vontade de cantar músicas japonesas.

Outra canção que ficou marcada em sua memória foi Love Song wa Utaenai, de Reiko Takahashi. A música faz parte das lembranças que ajudaram a construir seu vínculo com esse universo musical.

Essa relação com a música japonesa não se limita à nostalgia. Ela também aparece em suas escolhas como intérprete, nas canções que decide gravar e na vontade de compartilhar com outras pessoas aquilo que tanto ama.

Muito além dos animes: a riqueza da música japonesa

Capa do single Night of Summer Side

Embora as músicas de anime e tokusatsu tenham um papel importante em seu trabalho, o repertório de Pon revela interesses que vão além das produções audiovisuais.

Ele também aprecia Kayōkyoku, música japonesa retrô e J-Pop, explorando diferentes sonoridades e períodos da história musical do Japão.

Entre os artistas que o inspiram estão Masahiko Kondo, Yasuhiro Abe, Daisuke Shima e Reiko Takahashi. No campo da composição, Pon destaca Tetsuji Hayashi, nome associado a diversas canções importantes da música popular japonesa. Já entre os grupos musicais de que gosta estão T-Square e Godiego.

Essa variedade ajuda a compreender sua relação com a música: não se trata apenas de revisitar canções conhecidas, mas de reconhecer a riqueza de um repertório que atravessa gerações, estilos e diferentes formas de expressão.

Ao falar sobre o que o atrai nas músicas japonesas de outras épocas, Pon destaca justamente o sentimento presente nelas. Para ele, muitas dessas canções conseguem expressar emoções que as pessoas nem sempre se sentem à vontade para demonstrar publicamente.

É uma percepção interessante, especialmente quando pensamos em tantas baladas e canções românticas japonesas que transformam sentimentos íntimos em melodias inesquecíveis.

A música que toca a alma vem primeiro

Quando perguntamos o que mais chama sua atenção na hora de escolher uma música para interpretar, Pon deu uma resposta bastante pessoal: primeiro vêm sua alma e suas memórias.

Depois, a melodia. Em seguida, a interpretação do cantor original e, por último, a letra.

Essa ordem diz muito sobre a maneira como ele se relaciona com as canções. Antes de pensar em reproduzir uma música, existe uma conexão emocional que faz com que ela desperte seu interesse.

E isso também ajuda a explicar por que Pon continua interessado em músicas antigas. Para ele, as canções de anime e tokusatsu de outras décadas carregam a identidade de seu próprio tempo. Elas representam uma época e uma riqueza musical que não podem simplesmente ser substituídas por aquilo que veio depois.

Ao mesmo tempo, essas músicas continuam conquistando fãs em diferentes partes do mundo. A nostalgia pode ser um dos motivos, mas a permanência dessas obras também demonstra como certas melodias conseguem atravessar as barreiras do tempo.

Na Tokyo Groove FM, gostamos de pensar nessa relação entre passado e presente. Afinal, uma música não precisa ser recente para continuar fazendo parte da vida das pessoas.

Um cover especial: as lembranças de Azuki-chan

Capa da trilha sonora original do anime Azuki-chan

Entre as interpretações publicadas em seu canal, uma ocupa um lugar especialmente importante para Pon: Sutekina Kimi (素敵な君), canção associada à abertura do anime Azuki-chan.

Ao falar sobre esse cover, ele revela um sentimento que muitos de nós conhecemos bem. A música desperta lembranças da infância e, ao mesmo tempo, uma certa tristeza por perceber que aquele período ficou para trás.

Cantar novamente uma canção que marcou sua infância é uma maneira de reencontrar essas memórias, agora sob uma nova perspectiva.

É curioso como a música consegue fazer isso. Uma melodia que ouvimos quando éramos crianças pode adquirir outro significado anos depois. Continuamos reconhecendo suas notas, mas passamos a ouvi-las com a experiência e os sentimentos de quem já percorreu um caminho diferente.

No caso de Pon, interpretar Sutekina Kimi significa justamente reencontrar uma parte de sua própria história e compartilhá-la com quem também guarda lembranças semelhantes.

Nos bastidores: gravações em casa e uma interpretação natural

Microfone, notebook e fones de ouvido sobre uma mesa de gravação
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Nem toda produção musical começa em um grande estúdio. No caso de Pon, os covers nascem em casa, em seu próprio quarto, com um microfone e as canções que deseja interpretar.

Seu processo é simples e pessoal: escolher uma música de que gosta, preparar a gravação vocal e compartilhar o resultado.

Um dos aspectos que ele destaca é a preferência por uma voz natural, com pouca edição. Pon procura preservar uma interpretação mais crua, valorizando aquilo que descreve como uma expressão humana e essencial.

Essa escolha faz parte da identidade que deseja construir como cantor. Em vez de buscar uma produção excessivamente polida, ele prefere manter a sensação de uma interpretação próxima e autêntica.

É uma abordagem que combina com a própria natureza dos covers: alguém que ama determinada música decide cantá-la à sua maneira, levando consigo suas referências, sua voz e suas emoções.

E, às vezes, é justamente essa proximidade que torna uma interpretação especial.

Quando mil visualizações se tornam um incentivo

Publicar covers na internet também significa descobrir, aos poucos, quem está ouvindo. E, para Pon, um dos momentos mais marcantes dessa trajetória aconteceu quando sua versão curta de Yuuki 100% alcançou mil visualizações.

A marca o surpreendeu. Ele se perguntou se realmente havia tantas pessoas gostando de suas músicas e de sua voz.

Depois, outros covers também alcançaram números semelhantes, reforçando sua vontade de continuar produzindo e compartilhando aquilo que ama.

Mais do que os números em si, o que aparece em seu relato é a percepção de que existe um público disposto a ouvir essas canções novamente.

As mensagens que recebe, inclusive no Discord, também têm um papel importante. Algumas pessoas demonstram surpresa ao descobrir que ele canta músicas de anime antigas; outras simplesmente dizem que gostam de ouvir seus covers.

São comentários aparentemente simples, mas que podem fazer uma grande diferença para quem produz música de forma independente.

Cada pessoa que escuta, comenta ou compartilha ajuda a manter esse repertório em circulação. E é assim que canções de outras décadas continuam encontrando novos ouvintes.

A música japonesa conecta pessoas ao redor do mundo

Uma das características mais interessantes da música japonesa é a capacidade de despertar emoções mesmo entre pessoas que não compreendem o idioma.

Para Pon, os animes têm uma participação importante nessa conexão. Pessoas de diferentes países acompanham as mesmas produções, conhecem suas aberturas e encerramentos e acabam compartilhando referências, mesmo sem nunca terem se encontrado pessoalmente.

A música se torna, assim, uma espécie de ponto de encontro.

Essa conexão também aparece nas comunidades de fãs, nos comentários de vídeos e nas conversas entre pessoas que descobrem ter uma canção favorita em comum.

Na prática, não é necessário compreender cada palavra para reconhecer a força de uma melodia, sentir a emoção de uma interpretação ou se lembrar de uma cena que marcou a infância.

E essa é uma das razões pelas quais a música japonesa continua conquistando ouvintes ao redor do mundo: cada pessoa pode encontrar nela uma história, uma lembrança ou um sentimento próprio.

Na Tokyo Groove FM, essa conexão também faz parte da nossa missão. Acreditamos que a música japonesa merece ser descoberta em suas diferentes épocas, estilos e gerações — e que cada novo ouvinte representa uma oportunidade de manter essa história viva.

Para quem está descobrindo esses clássicos agora

E se você está começando a explorar as músicas antigas de anime, os temas de tokusatsu ou outros clássicos japoneses, Pon tem uma recomendação simples: explore seus próprios interesses e descubra quais músicas realmente tocam você.

Ele incentiva os fãs a procurarem canções antigas, revisitar séries de que gostam e cantar junto com suas aberturas favoritas.

Não é preciso conhecer toda a história da música japonesa para começar. Você pode partir de uma série que marcou sua infância, de uma melodia que ouviu por acaso ou de uma recomendação de outro fã.

A partir daí, uma descoberta pode levar a outra. Uma abertura de anime pode despertar o interesse por um cantor; esse cantor pode levar a um compositor; e, quando você percebe, já está explorando décadas de música japonesa.

É uma jornada que não precisa ter pressa. O importante é encontrar aquilo que faz sentido para você.

O que vem pela frente?

Quando o assunto são seus próximos projetos, Pon tem alguns objetivos em mente.

Um dos artistas que deseja interpretar no futuro é Masayuki Yamamoto, conhecido por seu trabalho relacionado à franquia Time Bokan. Pon o considera um artista único e importante para a riqueza da música japonesa.

Ele também pretende ampliar seu repertório para incluir covers de músicas pop britânicas, como as dos Beatles.

Além disso, gostaria de dedicar mais tempo a novas formas de apresentação musical, incluindo gravações em estúdio, performances ao vivo e videoclipes.

São planos que apontam para a vontade de expandir sua atuação como cantor e explorar outras maneiras de apresentar seu trabalho ao público.

E, considerando sua trajetória até aqui, há algo que permanece constante: o desejo de continuar compartilhando músicas que fazem parte de sua vida.

Conheça o trabalho de Pon

Pon fazendo pose ao lado de um herói de tokusatsu

Para encerrar nossa conversa, Pon deixou um convite aos leitores que gostam de anime, tokusatsu e música japonesa: conhecer seu canal e explorar a variedade de canções que ele compartilha.

Você pode acompanhar seu trabalho em:

Agradecemos ao Pon por compartilhar sua história, suas referências e seu carinho pela música japonesa com os leitores da Tokyo Groove FM.

Que sua voz continue levando essas canções a novos ouvintes e que muitas outras pessoas possam descobrir, por meio de seus covers, a riqueza musical que ele tanto valoriza.

Afinal, algumas músicas nunca deixam de pertencer ao nosso presente. Elas apenas encontram novas vozes para continuar sendo ouvidas.

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